Brasília celebra o pré-carnaval com enfoque no apoio a cuidadores de pessoas com demência
Com a alegria contagiante do carnaval e um olhar especial para quem cuida de familiares com condições demenciais, Brasília foi palco, neste domingo (8), de uma comemoração pré-carnavalesca que destacou a importância do autocuidado entre cuidadores. A professora Carmen Araújo, de 59 anos, marcou presença com entusiasmo no evento, representando o coletivo “Filhas da Mãe”, iniciativa que apoia cuidadoras de pessoas com demência. Fundado em 2019, o grupo transforma o símbolo do carnaval em uma plataforma de suporte e visibilidade para estas mulheres.
“Se a gente não se cuidar, adoecemos também”, compartilha Carmen, que há mais de uma década cuida do seu pai, acometido pela doença de Alzheimer. O amor pelo carnaval, manifestado com sorrisos e lágrimas, foi hereditário, passado pelo pai que outrora vivenciava intensamente a festividade. Agora, as circunstâncias o impedem de participar, mas sua memória e paixão pelo período seguem ressonantes nas tradições familiares.
Carmen Associa-se ao “Filhas da Mãe”, justamente por ser uma rede de apoio inestimável, que ajuda a aliviar a carga emocional e física das cuidadoras. Cosette Castro, psicanalista e co-fundadora do coletivo, ressalta a origem do grupo, nascido das experiências pessoais e a necessidade urgente de considerar as dores e desafios enfrentados por quem dedica grande parte de sua vida aos cuidados com familiares. Segundo Castro, é vital reavivar a alegria interior, muitas vezes abafada pela responsabilidade constante.
O coletivo atende diariamente cerca de 550 pessoas, oferecendo não apenas suporte emocional, mas também serviços virtuais de forma voluntária para promover saúde e conscientizar sobre a detecção precoce de doenças como o Alzheimer. Eventos como caminhadas, exposições e o próprio carnaval, servem como catalisadores para disseminar informações e permitir que as cuidadoras se reconectem com uma parte alegre e vital de si mesmas.
Enquanto o “Filhas da Mãe” pulsava ao ritmo do samba, um outro coletivo, “Me Chame pelo Nome”, celebrava a diversidade e combatia o preconceito capacitista. Sua fanfarra, composta por pessoas com deficiência, desfilava pela festa, promovendo um espaço de resistência através da arte, conforme descreve a servidora pública Aline Zeymer, uma das coordenadoras.
A festa, enraizada na cultura e nas necessidades sociais, reitera que o carnaval, além de um evento de alegria explícita, é uma ocasião para reafirmar a importância do cuidado e inclusão social, em um ambiente onde todos tenham a oportunidade de participar e se expressar livremente.
Créditos Fotográficos: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
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