Durante sua visita ao Haiti, António Guterres, secretário-geral da ONU, destacou a gravidade da crise humanitária que aflige o país, considerada a mais séria do Hemisfério Ocidental. Em território haitiano desde 2016 sem eleições e sob a liderança de Alix Didier Fils-Aimé, Guterres não apenas visitou acampamentos de deslocados, mas também se reuniu com representantes da força internacional e o primeiro-ministro haitiano.
O foco das discussões se concentrou na necessidade urgente de apoio logístico para combater as gangues violentas que tumultuam a capital, Porto Príncipe, e tem efeito devassador, especialmente sobre mulheres e crianças. Este ano já foram reportadas mais de 2.300 mortes devido à violência, e a insegurança alimentar e deslocamentos forçados devido à mesma afetam milhões.
Apesar das condições adversas, Guterres ressaltou iniciativas esperançosas, como a recuperação gradual de bairros da capital pelo Estado, refletindo uma potencial virada na situação. Mesmo com a preocupação internacional aquém do necessário — visto que o Plano de Resposta Humanitária obteve apenas 25% dos fundos necessários —, ele reitera que o Haiti precisa de ação concreta e não apenas de caridade.
A visita foi também marcada por um momento de indignação e resistência cultural, quando Guterres mencionou a repreensão da FIFA à seleção de futebol do Haiti por seu uniforme que celebrava a batalha pela independência. A seleção do Haiti enfrentará o Brasil na Copa do Mundo na próxima sexta-feira, com o legado de seu espírito combativo em destaque.
*Com informações de ONU News.
Guterres diz que mundo não tem direito de ignorar crise no Haiti
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