NotíciasMeio AmbienteDesmatamento Ameaça Igarapés e Água na Amazônia

Desmatamento Ameaça Igarapés e Água na Amazônia

Um estudo recente divulgado na revista científica Ecosystems destaca os efeitos devastadores do desmatamento na Amazônia sobre os igarapés, expondo como a redução da vegetação nas margens desses cursos d’água não só compromete sua estabilidade física como também a biodiversidade e a disponibilidade hídrica na região.

O trabalho, liderado por Gabriel Martins da Cruz, pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Síntese da Biodiversidade Amazônia (INCT-SinBiAm) e da Universidade Federal do Pará (UFPA), analisou 269 igarapés na parte oriental do bioma durante 13 anos. Os resultados são alarmantes: a perda de vegetação acarreta um acúmulo de areia nos leitos dos igarapés e consequente perda de estabilidade, afetando todo o ecossistema circundante.

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Gabriel Martins da Cruz ressalta a importância dos igarapés como “veias da floresta”, indicando que a preservação limitada às vegetações ripárias (próximas aos corpos d’água) pode ser insuficiente nas áreas já severamente degradadas. Ele enfatiza a necessidade de uma gestão integrada das bacias hidrográficas que contemple tanto as matas quanto as florestas mais amplas, crucial para restaurar a integridade física dos igarapés e mitigar a insegurança hídrica.

O orientador da pesquisa, Prof. Leandro Juen, alerta para a urgência de expandir as ações de restauração também para os ambientes aquáticos, tradicionalmente negligenciados nas políticas de recuperação ambiental. Ele defende uma revisão nas políticas que regulamentam a atenção aos ambientes aquáticos, essenciais para a sustentabilidade hídrica regional e para a conservação da biodiversidade amazônica.

Além disso, o estudo presta uma homenagem ao ecólogo Robert M. Hughes, uma referência mundial em ecologia aquática, cujas contribuições foram vitais para o progresso das pesquisas na região amazônica.

O estudo contou com o apoio de importantes agências de fomento e colaboração de redes científicas, incluindo CNPq, FAPESPA, FAPESP, CAPES, o PPBio Amazônia Oriental, e o Biodiversity Research Consortium Brazil–Norway (BRC). O trabalho é um marco importante para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, especialmente nos quesitos de gestão sustentável da água, combate às mudanças climáticas e proteção à vida terrestre.

Desmatamento na Amazônia ameaça igarapés e segurança hídrica

Agência Brasil

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