O sistema financeiro brasileiro vivenciou recentemente um dos seus mais graves episódios, envolvendo a liquidação do Banco Master e da gestora de investimentos Reag, por determinação do Banco Central em novembro de 2025 e dezembro de 2025, respectivamente. Investigado por suspeitas de operações fraudulentas que alcançaram bilhões, o caso expõe uma complexa rede de irregularidades financeiras e institucionais, afetando diretamente investidores e a credibilidade de órgãos reguladores e de fiscalização. Os tumultos decorrentes desse escândalo afetam, também, o equilíbrio entre os poderes nacionais.
Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, adotou um modelo de negócios que oferecia retornos substancialmente altos aos seus investidores por meio de Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), prometendo até 140% da taxa do Certificado de Depósito Interbancário (CDI). Para sustentar tais promessas, o banco entrou numa espiral de riscos altíssimos e operações infladas, que, investigadas pela Polícia Federal (PF) e por relatórios do Banco Central (BC), revelaram-se parte de uma estrutura muito mais complexa e arriscada.
O esquema, descrito pelos investigadores, incluía manipulações através de triangulações que totalizavam cerca de R$ 11,5 bilhões movimentados irregularmente entre 2023 e 2024. Empresas laranja e a compra de ativos de duvidosa valia a preços elevados, especialmente participações em fundos administrados pela Reag Investimentos, eram centrais para a camuflagem das operações.
Com o avanço das investigações, o Banco Central interveio, limitando a captação de novos investimentos e, inevitavelmente, levando ao colapso da liquidez do Master. Essa situação culminou na liquidação do banco e posteriormente da Reag Investimentos, após a operação Compliance Zero, refletindo a fragilidade e a falta de sustentação real das operações que ambos administravam.
Ademais, o escândalo reverberou tensões institucionais, com questionamentos levantados no Supremo Tribunal Federal (STF), no Tribunal de Contas da União (TCU) e no Congresso acerca das decisões e ações do Banco Central durante a crise. O papel dessas tensões é crucial para entender a dinâmica entre os órgãos de controle e fiscalização no Brasil.
Destaca-se que o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) estima desembolsar aproximadamente R$ 41 bilhões para ressarcir cerca de 1,6 milhão de clientes afetados, marcando este como o maior resgate da história do fundo. Por outro lado, investimentos em fundos da Reag ou em Letras Financeiras do Master não estão cobertos pelo FGC, deixando certos investidores sem recuperação dos valores aplicados.
Este incidente não apenas ilustra falhas severas na fiscalização e na governança corporativa, mas também servirá como caso de estudo para futuras reformas regulatórias no mercado financeiro. A imagem do esquema pode ser visualizada na “Arte Banco Master”, produzida pela Agência Brasil, detalhando os mecanismos e as conexões desse intrincado esquema financeiro. (Fonte: Agência Brasil)
Entenda as liquidações do Banco Master e da Reag
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