No coração de Brasília, a Praça Zé Ramalho foi imersa na celebração do carnaval neste domingo, 15 de fevereiro de 2026. O local, situado a 5 quilômetros da Praça dos Três Poderes, encheu-se de cores e música com o bloco Charrete, uma homenagem ao falecido carnavalesco Joãozinho da Vila, presença icônica no carnaval do Distrito Federal até sua morte em 2017.
Depois de dois anos de silêncio, a efervescência do carnaval retornou ao bairro de Vila Planalto com a fundação do Charrete em 2019. O bloco, idealizado por Thiago Fanis, surge da fusão entre a Fanfarra Tropicaos e o Charretinha do Forró, procurando renovar e manter viva a tradição carnavalesca da região com os ritmos do Norte, Nordeste e Centro-Oeste brasileiro. Ao longo do evento, a praça vibrou ao som das marchinhas tradicionais e ritmos regionais, executados por músicos e DJs que englobam desde o reggae ao tecnobrega.
Na cena política que muitas vezes acompanha as festividades de Brasília, não faltaram manifestações: bandeiras da Palestina e adesivos pró-soberania brasileira contra políticas internacionais marcaram presença, mostrando que o espírito do carnaval local está também em sua capacidade de ser uma plataforma de expressão cívica.
Além da música e da dança, o Charrete serve como lembrete da importância da resistência cultural e da alegria, especialmente em tempos de discussões políticas e sociais intensas. As palavras de Álvaro Peres resumem bem o sentimento do dia: “O carnaval é um ato de resistência, só que por meio da alegria. Precisamos sorrir, cantar, dançar”.
O bloco de rua é uma ode ao legado de Joãozinho, cuja presença é simbolizada por um grande boneco que acompanha os foliões todos os anos, garantindo que, mesmo após sua partida, sua essência ainda anima as festas de carnaval da Vila Planalto. No cerne desse movimento cultural, cada marchinha e cada passo de dança reverberam mais do que diversão: são manifestações de identidade, memória e pertencimento.
Crédito das fotos: Joédson Alves/Agência Brasil
Charretinhas do Forró mantém folia de resistência na Vila Planalto
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