Um novo estudo revela que as áreas úmidas do Cerrado podem armazenar uma quantidade de carbono surpreendentemente alta, chegando a 1.200 toneladas métricas por hectare. Este valor é até seis vezes maior que o observado na Amazônia, segundo pesquisa publicada na revista científica New Phytologist.
O trabalho, liderado pela pesquisadora Larissa Verona, foi desenvolvido em colaboração com especialistas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), do Cary Institute of Ecosystem Studies (EUA), do Instituto Max Planck (Alemanha) e do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Este estudo é pioneiro ao detalhar os estoques de carbono nos solos dos campos úmidos e das veredas do Cerrado.
Para a coleta de dados, foram analisadas amostras de solo até quatro metros de profundidade, descobrindo-se uma acumulação de material orgânico que data de até 20 mil anos. A pesquisa aponta que a decomposição lenta nesses habitats permite o armazenamento substancial de carbono.
A pesquisa também alerta para os riscos que o Cerrado enfrenta, principalmente a expansão agrícola, drenagem e a retirada de água para irrigação, que aceleram a decomposição do material orgânico e liberam gases de efeito estufa. Dados do estudo indicam que cerca de 70% das emissões anuais de gases desses ambientes ocorrem durante a estação seca.
Os especialistas ressaltam a necessidade urgente de ampliar a proteção das áreas úmidas do Cerrado e reconhecer seu papel crucial no equilíbrio climático global. Até 50% dessas áreas já sofreram algum tipo de degradação. As medidas de proteção existentes, conforme a legislação brasileira, precisam de reforço para garantir a conservação do segundo maior bioma da América do Sul, que também é vital por seus extensos e antigos estoques de carbono.
Estudo indica que Cerrado pode armazenar mais carbono que Amazônia
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