Educação Infantil no Brasil: um olhar sobre o progresso e os desafios à frente
No Brasil, o cenário da educação infantil vem mostrando sinais claros de progresso, conforme revelou a última edição da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do IBGE. Em 2025, cerca de 9,4 milhões de crianças de 0 a 5 anos estavam matriculadas em instituições educacionais, como escolas e creches. Este número captura bem a tendência de crescimento na matrícula de crianças nessa faixa etária, especialmente para os menores de 3 anos, cuja inserção em creches alcançou um impressionante 43,3% do total, o maior percentual desde o início da série histórica em 2016.
A pesquisa detalha um aumento significativo de 11 pontos percentuais em relação a 2016, quando apenas 31,8% das crianças nesta faixa etária eram atendidas. Este avanço é parte de um esforço contínuo para atingir e agora superar as metas estabelecidas pelo Plano Nacional de Educação (PNE), que, apesar de ambicioso, ainda vê desafios particularmente nas regiões mais desfavorecidas.
Em conversa com a Agência Brasil, Natália Fregonesi, coordenadora de Políticas Educacionais do Todos Pela Educação, analisou os avanços e os obstáculos ainda existentes. “Apesar dos progressos, precisamos de mais planejamento e recursos para garantir que a expansão das creches atenda eficazmente à demanda, especialmente em áreas menos privilegiadas”, destacou Fregonesi.
A especialista também salientou a necessidade de maior cooperação técnica e financeira entre municípios e governos estaduais e federal, para que seja possível não apenas expandir a oferta mas também garantir a qualidade e equidade no acesso à educação infantil.
A taxa de atendimento na pré-escola, para crianças de 4 e 5 anos, também mostrou um alto índice de cobertura, aproximando-se da universalização, com 96,1% das crianças nesta idade frequentando a escola. Contudo, a pesquisa ainda aponta para desigualdades persistentes, especialmente entre crianças negras, pardas e indígenas e aquelas pertencentes a famílias com menor renda.
Os desafios identificados não só reforçam a importância das políticas públicas já em ação, como o Compromisso Nacional pela Qualidade e Equidade na Educação Infantil (Conaquei), mas também apontam para a necessidade de uma análise refinada e um atendimento focalizado, que considere as diversidades regionais e socioeconômicas para promover uma educação verdadeiramente inclusiva desde a base.
O governo federal, juntamente com estados e municípios, segue comprometido a investir e trabalhar para a eliminação dessas barreiras, garantindo que cada criança brasileira, independentemente de sua condição socioeconômica ou regional, tenha acesso a uma educação de qualidade desde os primeiros anos de vida. Para 2026 e 2027, estão previstos investimentos superiores a R$ 406 milhões para apoiar estados e municípios neste compromisso.
(Foto de Natália Fregonesi: Todos Pela Educação/Divulgação)
Matrículas em creches avançam 36% em quase uma década
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