Em uma decisiva consulta popular realizada nesse domingo (16) no Equador, a população votou contra as quatro propostas do presidente de direita Daniel Noboa, incluindo a controversa instalação de bases militares estrangeiras e a convocação de uma nova Assembleia Constituinte. O plebiscito, que também incluiu questões sobre o financiamento público de partidos e a redução do número de parlamentares, mostrou um forte desacordo com as políticas governamentais atuais.
Daniel Noboa, que anteriormente expressou necessidade de instalar bases militares dos EUA no Equador para combater o narcotráfico, enfrentou uma rejeição com 60,65% dos votos contra a instalação dessas bases estrangeiras. Este tema, particularmente polêmico, repercute a decisão de 2008 que proibiu bases militares estrangeiras em território equatoriano. A medida de 2008 forçou também a retirada dos militares dos EUA da cidade de Manta em 2009.
A proposta de Noboa para uma nova Assembleia Constituinte, sob a alegação de que a Carta atual protege criminosos, foi igualmente rejeitada com 61,65% votando contra. Esta proposta gerou um intenso debate no país com a oposição acusando o presidente de tentar utilizar a violência como pretexto para erodir direitos sociais consagrados.
Além disso, os eleitores se pronunciaram contra o fim do financiamento público para os partidos políticos e a proposta de redução dos membros da Assembleia Legislativa de 151 para 73. Após os resultados, presidente Noboa afirmou que respeitará a vontade do povo e continuará trabalhando pelas mudanças que considera necessárias.
Oposicionistas, como Luisa González do Partido Revolução Cidadã, comemoraram os resultados como uma vitória para a soberania do Equador e um repúdio à influência estrangeira na política interna do país. Este evento é uma continuação das tensões políticas no país que incluem acusações de fraude eleitoral e um aumento significativo da violência e criminalidade, refletindo desafios substanciais na governança e segurança pública equatoriana.
Este referendo ocorre em um contexto de intensificação das relações entre o governo de Noboa e a administração Trump, com visitas de oficiais americanos ao Equador e declarações que enfatizam uma cooperação bilateral especialmente na área de segurança. Esta relação complexa continuará a ser um ponto de foco tanto para o governo quanto para a oposição no país.
Em referendo, Equador rejeita instalar bases militares estrangeiras
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