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Exposição retrata mulheres e plantas marginalizadas

"Venenosas, Nocivas e Suspeitas": Exposição utiliza inteligência artificial para resgatar histórias de plantas e mulheres estigmatizadas

Está em cartaz até o próximo domingo (20), na Galeria de Fotos do Centro Cultural Fiesp, em São Paulo, a exposição "Venenosas, Nocivas e Suspeitas". Com entrada franca, a mostra é uma iniciativa pioneira que utiliza a inteligência artificial para explorar a relação entre plantas proibidas e mulheres marginalizadas ao longo da história.

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Criada pela artista visual Giselle Beiguelman, a exposição lança luz sobre espécies de plantas que foram estigmatizadas ou proibidas durante o período colonial, muitas vezes associadas a rituais, ou por seus efeitos afrodisíacos e alucinógenos. Essas plantas, frequentemente dominadas por mulheres que acabaram por ser perseguidas ou esquecidas, são o foco central das obras.

A exposição também presta homenagem a naturalistas femininas dos séculos XVII ao XIX que, apesar de suas significativas contribuições à ciência e às artes, não receberam o devido reconhecimento em sua época. Beiguelman, por meio do uso de inteligência artificial, recriou os retratos destas mulheres imersas entre as plantas, tentando capturar suas aparências na idade em que faleceram.

Dentre as homenageadas, destaca-se Maria do Carmo Vaughan Bandeira, a primeira botânica do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, que posteriormente optou pela vida religiosa em um convento. Outra é Constança Eufrosina Borba Paca, uma ilustradora que participou de expedições científicas junto com seu marido, João Barbosa Rodrigues. Além delas, Luzia Pinta, ex-escravizada e sacerdotisa conhecida por suas práticas de cura, foi injustamente acusada de feitiçaria e enviada para a Inquisição em Portugal no século XVIII.

Débora Viana, gerente de Cultura do Sesi de São Paulo, ressalta que a mostra é uma excelente oportunidade para compreender como a inteligência artificial está sendo incorporada na arte contemporânea e ajudar públicos jovens e crianças a conhecerem mais sobre essas plantas e as mulheres que foram apagadas não só da ciência, mas também da história.

A exposição "Venenosas, Nocivas e Suspeitas" é uma jornada através do tempo e das histórias não contadas, uma chance de ver como a tecnologia moderna pode ajudar a resgatar e valorizar saberes e vidas marginalizadas pelo contexto colonial e patriarcal. A mostra se encerra neste final de semana, sendo uma última oportunidade para os interessados em história natural, direitos das mulheres e uso de tecnologia na arte visitarem essa singular apresentação no Centro Cultural Fiesp.

Exposição apresenta mulheres e plantas estigmatizadas na história

Agência Brasil

Educação

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