Após dois anos no poder, o Conselho Presidencial de Transição (CPT) do Haiti concluiu seu mandato neste sábado, destacando a continuidade governamental sob o gabinete do primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé, em meio a tensões e ameaças recentes de intervenção dos Estados Unidos. A passagem de poder ocorreu sem deixar um vácuo político, assegurando a segurança e a estabilidade no país caribenho.
Durante a cerimônia de transição em Porto Príncipe, Laurent Saint-Cyr, presidente do CPT, reafirmou que a governança do Haiti continuará sob a liderança do primeiro-ministro Didier Fils-Aimé, mantendo como foco a segurança, o diálogo político e as eleições. “Saio da minha função com a consciência tranquila, certamente tendo feito as escolhas mais adequadas para o país,” afirmou Saint-Cyr.
O CPT foi estabelecido em abril de 2024, após a inesperada renúncia do então primeiro-ministro Ariel Henry, consequência do clima de instabilidade gerado pelo assassinato do presidente Jovenel Moïse em julho de 2021. Composto por nove conselheiros de diversos setores sociais, o CPT teve a delicada tarefa de conduzir o país até a realização de eleições gerais, além de enfrentar o desafio de retomar áreas dominadas por gangues armadas na capital.
A presidência de Didier Fils-Aimé, no entanto, esteve recentemente sob ameaça de destituição pelo próprio CPT, o que provocou uma resposta crítica dos Estados Unidos. A administração de Donald Trump posicionou três navios de guerra na Baía de Porto Príncipe para assegurar sua permanência no poder. Isso indicou o quão estratégico é visto o papel de Fils-Aimé na liderança do país pelo governo americano.
De acordo com Ricardo Seitenfus, professor aposentado de relações internacionais e especialista em assuntos haitianos, houve uma tentativa de reverter a liderança de Fils-Aimé antes do término do mandato do CPT. “O primeiro-ministro mostrou grande capacidade de articulação, o que desencadeou essa ação por parte do Conselho”, explicou Seitenfus, que recentemente visitou o Haiti.
Em termos de segurança nacional, o Haiti tem se beneficiado de cooperações internacionais, como a missão policial internacional liderada pelo Quênia, seguida pela criação da Força Multinacional de Repressão a Gangues pelo Conselho de Segurança da ONU. Estas ações têm sido fundamentais para a tentativa de estabilização do país e preparação para as eleições futuras.
*Com colaboração da jornalista Thaís de Luna.
Haiti: conselho de transição encerra mandato após ameaça dos EUA
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