Pesquisas recentes da Universidade de Macau apontam que a exposição excessiva a vídeos de formato curto nas redes sociais pode prejudicar o desenvolvimento cognitivo das crianças, causando problemas como ansiedade social e insegurança. Este estudo vem em um momento onde o consumo digital na China mostra números impressionantes, com quase 1,1 bilhão de pessoas acessando esse tipo de conteúdo.
As pesquisadoras Wang Wei e Anise Wu Man Sze, ambas da Universidade de Macau, lideraram estudos independentes relacionando o uso frequente desses vídeos à queda na concentração e engajamento escolar. Wang Wei, especialista em Psicologia Educacional, elaborou em seu estudo “Dependência de vídeos curtos, envolvimento escolar e inclusão social entre estudantes rurais chineses”, que esta forma de consumo de mídia pode satisfazer de maneira superficial e perigosa, as necessidades psicológicas das crianças, contribuindo para a criação de um ciclo vicioso de dependência.
Por sua vez, Anise Wu focou na dinâmica afetiva e cognitiva em seu trabalho “A relação das componentes afetivas e cognitivas no uso problemático de vídeos curtos”, onde discute os efeitos da superestimulação e como ela pode impactar negativamente o desenvolvimento infantil. Ressaltou-se também a importância do ambiente, stress diário e até predisposições genéticas como fatores que exacerbam essa dependência.
Os estudos alertam para a necessidade de consciencialização sobre o consumo desmesurado de conteúdos digitais. Wu menciona que o acesso constante e gratuito a esses vídeos cria um hábito que pode atrapalhar a vida cotidiana das crianças, afetando o sono e o tempo em família, e recomenda que mais que a restrição do uso, é vital trabalhar na regulação emocional e competências de autorregulação digital das crianças.
Este crescente fenômeno coincide com um período de expansão robusta na indústria de conteúdos digitais na China, com a indústria superando 1,22 trilhões de yuan em 2024, impulsionada fortemente pelo consumo de vídeos curtos e transmissões ao vivo (live streaming), como indicam os dados do Relatório Anual sobre o Desenvolvimento dos Serviços Audiovisuais na Internet, divulgado pelas autoridades chinesas. Esses insights servem como um chamado à reflexão sobre as práticas de consumo de mídia e seu impacto nas gerações futuras.
(Nota: todas as informações foram retiradas dos estudos de Wang Wei e Anise Wu Man Sze da Universidade de Macau, conforme relatado pela agência Lusa e o Relatório Anual sobre o Desenvolvimento dos Serviços Audiovisuais na Internet da China.)
Estudo mostra impacto de vídeos curtos no desenvolvimento infantil
Educação

