A disparidade econômica entre o topo da pirâmide financeira global e a base se agrava: segundo a Oxfam, em análise dos impactos a longo prazo do escândalo dos Panama Papers, os 0,1% mais ricos possuem uma quantidade de riqueza em paraísos fiscais que ultrapassa todo o patrimônio da metade mais pobre da população mundial, correspondente a 4,1 bilhões de pessoas. Este estudo foi divulgado em março deste ano, marcando uma década desde as revelações que expuseram a vasta rede de empresas offshore utilizadas para ocultar patrimônio e sonegar impostos.
Em 2016, o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) destapou um sistema global onde empresas offshore facilitam que riquezas imensas sejam escondidas, através da análise de milhões de documentos. Dez anos após essa exposição, não apenas persiste a utilização dessas estruturas para fins de evasão fiscal, como a quantia depositada nestas contas não tributadas alcança aproximadamente US$ 3,55 trilhões em 2024, segundo estimativas da Oxfam. Esse valor é superior ao PIB da França e mais que o dobro do PIB combinado dos 44 países menos desenvolvidos do mundo.
A concentração dessa riqueza não tributada é ainda mais alarmante ao se constatar que 80% dela está nas mãos do dito 0,1% mais rico, somando cerca de US$ 2,84 trilhões. Christian Hallum, coordenador de Tributação da Oxfam Internacional, critica a perpetuação desse cenário de desigualdade onde os super-ricos operam à margem das obrigações fiscais comuns, impactando negativamente a distribuição de recursos essenciais para a sociedade, como saúde e educação.
A organização faz um apelo urgente por ações coordenadas internacionalmente no sentido de tributar essa riqueza extrema e desmantelar o uso de paraísos fiscais. Revelações como os Panama Papers, mencionada por Viviana Santiago, diretora executiva da Oxfam Brasil, apontam para a necessidade de mudanças estruturais para assegurar justiça fiscal, especialmente em países do Sul Global, onde a exclusão de sistemas como o de Troca Automática de Informações (AEOI) limita a capacidade de combater a evasão fiscal em grande escala.
Oxfam estima em US$ 3,55 tri riqueza escondida em paraísos fiscais
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