Persistência do Fenômeno La Niña Impacta Chuvas na Região Metropolitana de São Paulo
A média de chuvas em quase todas as estações da região metropolitana de São Paulo para janeiro está abaixo do esperado, revela o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A exceção é o posto de medição do Mirante de Santana, que superou a média para o mês. Esta tendência de escassez é prevista para continuar ao longo do primeiro trimestre, complicada pela dificuldade no avanço de frentes frias e pela persistência do fenômeno La Niña.
O fenômeno La Niña, caracterizado pelo resfriamento das águas do Oceano Pacífico, tem afetado diretamente o clima na região, limitando a formação de nuvens de chuva. Com isso, o estado de São Paulo enfrenta um período de seca severa ou extrema desde janeiro de 2024, com o norte do estado sendo a região menos afetada, segundo o Inmet. No restante do estado, a seca é classificada como extrema nos últimos 12 meses.
Segundo Leydson Dantas, meteorologista do Inmet, “no primeiro trimestre teremos chuva abaixo da média em toda a região entre a sul da mesorregião de Bauru, região de Itapetininga e região metropolitana”. Contudo, há uma esperança de melhora no cenário a partir do segundo semestre, com a possível diminuição da intensidade do La Niña, condição considerada provável em 75% pelo National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) dos Estados Unidos.
Nesse contexto, os reservatórios que abastecem a Grande São Paulo estão em situação crítica. O Sistema Integrado Metropolitano da Sabesp estava com apenas 27,7% de sua capacidade em última medição, enquanto o sistema Cantareira, um dos mais importantes para a região, operava com apenas 19,39% de sua capacidade total.
A Sabesp tem adotado medidas para enfrentar a crise, como a ampliação da captação de água no sistema Alto Tietê e a modernização de equipamentos. Desde agosto de 2025, a companhia também reduziu ou cessou o abastecimento de água durante o período noturno para economizar recursos.
A situação também mobiliza a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp), que continua monitorando e implementando ações de contingência. Notavelmente, a agência anunciou a economia de mais de 70,29 bilhões de litros de água desde a implantação da Gestão de Demanda Noturna em agosto de 2025, demonstrando o impacto das políticas de redução do uso da água.
O cenário é de alerta, e medidas adicionais poderão ser necessárias se houver nova piora nos volumes dos reservatórios. A Arsesp e outros órgãos envolvidos permanecem em constante monitoramento e ajustam suas estratégias conforme necessário, visando assegurar a segurança hídrica para a população. O uso consciente de água é mais crucial do que nunca e é reforçado pelas autoridades como essencial para a manutenção dos recursos hídricos disponíveis.
Matéria atualizada às 19h09 para incluir informações da Arsesp sobre as medidas de contingência adotadas.
Créditos da imagem: Agência Brasil
Chuvas abaixo da média tendem a persistir e agravar seca em São Paulo
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