O carnaval carioca, conhecido por seu esplendor e festividade, reserva também um espaço significativo para a inclusão social com a atuação dos blocos de saúde mental. Essas agremiações reúnem usuários da rede de atenção psicossocial, familiares, profissionais de saúde e a comunidade local, promovendo conscientização e quebrando estigmas associados ao sofrimento psíquico.
A Prefeitura do Rio de Janeiro, através da Secretaria Municipal de Saúde (SMS-Rio), destaca o papel vital desses blocos na maior festa popular do país, servindo não apenas como celebração, mas como um movimento de inclusão e respeito à diversidade. Hugo Fernandes, superintendente de Saúde Mental da SMS-Rio, salienta que esses blocos são essenciais para afirmar o direito de todos ao acesso à cultura e à alegria, reforçando políticas de cuidado em liberdade.
Os blocos proporcionam, durante todo o ano, atividades como oficinas de música, fantasia, artesanato e percussão que facilitam a expressão artística dos participantes e fomentam diálogos sobre inclusão social. Um exemplo é o bloco “Zona Mental”, originário da Zona Oeste, que desde 2015 tem usado o carnaval como uma plataforma de reintegração social.
Em 2026, esse bloco se prepara para um desfile especial no dia 6 de fevereiro, com concentração na Praça Guilherme da Silveira em Bangu. Este ano, o bloco renderá homenagem aos nordestinos residentes na região, com um samba enredo dedicado a Hermeto Pascoal, ilustre multi-instrumentista que contribuiu significativamente para a música brasileira.
Paralelamente, o bloco “Tá Pirando, Pirado, Pirou!” comemora os 25 anos da Lei Antimanicomial com um desfile no dia 8 de fevereiro, na Urca. Inspirado pelo psiquiatra italiano Franco Basaglia, o bloco celebra os avanços na reforma psiquiátrica no Brasil. Este ano, além da tradicional bateria da escola de samba Portela, o desfile contará com a participação dos blocos convidados Céu da Terra e Vem Cá Minha Flor.
Outro destaque é o “Império Colonial”, que homenageia Arthur Bispo do Rosário, artista plástico que viveu com esquizofrenia. O desfile ocorrerá no dia 10 de fevereiro, começando na Praça Nossa Senhora de Fátima, em Jacarepaguá.
Finalmente, o “Loucura Suburbana” desfila suas cores e ideais no dia 12 de fevereiro, no Engenho de Dentro. Este bloco, que se destaca por revitalizar o carnaval local, também oferece serviços como empréstimo de fantasias e maquiagem grátis no dia do desfile, tornando a festividade acessível a todos.
Essas iniciativas refletem um movimento crescente de conscientização e inclusão no cenário do carnaval brasileiro, demonstrando que a festa mais icônica do país é também um espaço de expressão e integração para todos, sem distinção.
Os créditos das imagens dos blocos são de Tomaz Silva/Agência Brasil e do bloco Império Colonial, conforme divulgação oficial.
Fonte: Governo Federal do Brasil, Agência Brasil.
Blocos da saúde mental quebram preconceitos e reforçam inclusão no Rio
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