No Brasil, apesar de 99,4% das grávidas iniciarem o pré-natal, a continuação desse acompanhamento é desigual, revela estudo da UFPel e Umane. O acesso reduzido afeta principalmente indígenas, mulheres menos escolarizadas e moradoras do Norte.
O pré-natal é essencial para assegurar a saúde de mães e bebês, começando idealmente até a 12ª semana de gestação e incluindo pelo menos sete consultas, conforme recomendação recente do governo federal através da Rede Alyne. No entanto, a pesquisa aponta que apenas 78,1% das grávidas mantêm o acompanhamento até a sétima consulta.
A falta de educação formal é um grande obstáculo. Enquanto 86,5% das gestantes com maior escolaridade completam as consultas, esse número cai para 44,2% entre as que têm menor escolaridade. A situação é ainda mais grave entre as mulheres indígenas. Seguindo apenas 19% delas o protocolo recomendado, em comparação com 88,7% das mulheres brancas com alta escolaridade.
Regionalmente, as disparidades também são evidentes. No Norte do país, apenas 63,3% das grávidas finalizam o pré-natal, enquanto no Sul esse percentual é de 85%. A pesquisa também destaca a necessidade de políticas específicas para adolescentes, que mostram um índice de acompanhamento integral de apenas 67,7%.
Elaborado com base em dados de mais de 2,5 milhões de nascimentos registrados no Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) em 2023, este estudo foi liderado pela pesquisadora Luiza Eunice, do Centro Internacional de Equidade em Saúde da Universidade Federal de Pelotas (ICEH/UFPel), que enfatiza a importância de combater o racismo estrutural e melhorar o acesso ao pré-natal para todas.
O pré-natal, conforme descreve a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), é crucial não só para detectar doenças precocemente mas também para orientações sobre amamentação e cuidados gerais, fortalecendo o vínculo entre mãe e filho e diminuindo riscos durante o parto.
Créditos: Imagem fornecida pela UFPel e Umane.
Pré-natal integral é menor entre indígenas e mulheres com pouco estudo
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