Um relatório recente divulgado pela Unesco ressalta a vital importância dos sítios protegidos para as comunidades e o meio ambiente, enfatizando suas contribuições tanto em escala local quanto global. O documento, intitulado “People and Nature in Unesco Sites: Global and Local Contributions”, foi apresentado em Paris nesta terça-feira (21).
No Brasil, o destaque fica por conta do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses e o Parque Nacional de Iguaçu, reconhecidos por sua rica biodiversidade e preservação de espécies ameaçadas como o guará, a lontra-neotropical, o gato-do-mato e o peixe-boi-marinho. O Parque Nacional dos Lençóis, por exemplo, foi recentemente adicionado à lista do Patrimônio Mundial da Unesco durante a 46ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, ocorrida em Nova Delhi, em julho de 2024.
O relatório aponta que, enquanto as populações globais de animais selvagens caíram 73% desde 1970, as áreas protegidas mostraram estabilidade, beneficiando-se da preservação eficaz. Adicionalmente, cerca de um quarto desses sítios são territórios de povos indígenas, onde mais de mil línguas foram documentadas.
A importância destas áreas vai além da preservação cultural e natural: estes locais são cruciais no armazenamento de carbono e na absorção de gases de efeito estufa, com os sítios da Unesco abrigando florestas que representam cerca de 15% do carbono global absorvido por florestas anualmente.
No entanto, esses benefícios estão sob ameaça devido a crescentes pressões ambientais. O documento da Unesco indica que 90% dos sítios enfrentam níveis elevados de estresse ambiental, com riscos climáticos que cresceram 40% na última década. Se medidas robustas não forem adotadas, esses locais podem enfrentar transformações irreversíveis até 2050.
Devido à profunda conexão entre natureza e comunidades que sustentam quase 900 milhões de pessoas globalmente, a Unesco sugere ações intensificadas nos sítios, promovendo a restauração de ecossistemas, a cooperação transfronteiriça e a governança inclusiva, envolvendo mais diretamente povos indígenas e comunidades locais.
O relatório foi desenvolvido com o apoio de mais de 20 instituições de pesquisa e apela para um reconhecimento dos sítios da Unesco não apenas como áreas de conservação, mas como elementos centrais nas políticas climáticas e ambientais globais.
(Fotografia de Foz do Iguaçu: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Unesco destaca contribuição de seus sítios para o meio ambiente global
Meio Ambiente

