Os oceanos enfrentam uma crescente ameaça invisível: os microplásticos. Em um estudo recente realizado pelo Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar) na costa do Paraná, a oceanógrafa Fernanda Possatto encontrou que 93,6% dos peixes analisados continham esses resíduos em seu trato digestivo. A pesquisa, conduzida em 14 praias e apoiada por análises de mercado, revelou que 44 dos 47 indivíduos examinados apresentavam microplásticos, com especial prevalência em espécies demersais (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil).
Localizada na cidade de Pontal do Paraná, a sede da Associação Mar Brasil é um centro vital para o Rebimar, patrocinado pela Petrobras. Além dessa iniciativa o porto de Paranaguá e a Ilha da Cotinga são outros focos de estudo devido à diversidade ambiental e ações humanas. Fernanda Possatto enfatiza a importância de pesquisas adicionais para entender melhor as implicações desses poluentes nos organismos marinhos e em cadeias alimentares mais amplas.
As preocupações também vão além do setor marinho, estendendo-se à vida selvagem, como mostra o estudo sobre aves marinhas. Resultados indicam que 69% das aves estudadas possuíam fragmentos plásticos expelidos. Esta ampla dispersão de microplásticos, encontrada até em ambientes ambientalmente protegidos, sugere uma contaminação sistêmica favorecida por correntes e ventos marinhos.
Além disso, a captura e análise de tartarugas-verdes têm revelado que o lixo plástico afeta gravemente a saúde destes animais, com 80% das tartarugas encontradas mortas apresentando resíduos em seus tratos digestivos. Esses estudos, coordenados pela bióloga Camila Domit da Universidade Federal do Paraná, são essenciais para fornecer dados que auxiliam na conservação de habitats e na mitigação de interações negativas, como a pesca (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil).
Todas essas atividades de pesquisa e recuperação são fundamentais para informar políticas públicas e práticas sustentáveis, contribuindo para uma compreensão mais profunda e ação efetiva contra a poluição plástica nos ecossistemas marinhos e em outras vias ambientais. A colaboração contínua entre entidades científicas, corporações e governos é crucial para gerar mudanças significativas e sustentáveis.
Mais de 93% dos peixes vendidos no litoral do Paraná têm microplástico
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