União pela Conservação: Nasce em São Paulo a Aliança dos Povos e Comunidades Tradicionais Guardiões da Mata Atlântica
No emblemático Dia Nacional da Mata Atlântica, 27 de maio, representantes de comunidades tradicionais de diversas partes do Brasil reuniram-se na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo para lançar um movimento de grande importância ecológica e cultural: a Aliança dos Povos e Comunidades Tradicionais Guardiões da Mata Atlântica. Este grupo diversificado, que inclui indígenas, caiçaras, quilombolas, caboclos, marisqueiras, povos de terreiro e pescadores artesanais, visa fortalecer a luta pela preservação deste bioma crucial e pela defesa de seus direitos territoriais.
A coordenadora da Comissão Guarani Yvyrupa, Ivanildes Kerexu, destacou em entrevista a necessidade de políticas públicas eficazes e a preservação ambiental. A esperança é que essa aliança traga uma voz mais forte e unida para encarar os desafios atuais que ameaçam não apenas a Mata Atlântica, mas o modo de vida dessas populações.
Figuras políticas, como a deputada Sonia Guajajara, ex-ministra dos Povos Indígenas, também marcaram presença, enfatizando a relevância do novo grupo como um espaço vital para diálogo e ação política. A ex-ministra alertou sobre os perigos da exploração de terras raras, comparando-os ao impacto da extração de petróleo, e ressaltou o timing crítico do lançamento da aliança, num momento em que a Mata Atlântica já perdeu mais da metade de sua cobertura original.
A Mata Atlântica, o primeiro bioma brasileiro a sofrer os impactos da colonização, continua enfrentando ameaças de grandes empreendimentos e da especulação imobiliária. Segundo os membros da aliança, o turismo exploratório e o uso de agrotóxicos também contribuem para a destruição deste habitat vital. Relatos como os de José Wellington Fontes Nascimento, do Movimento Quilombola de Sergipe, ilustram os impactos diretos sobre as comunidades e a fauna local, com animais deslocados invadindo áreas residenciais.
A visão da aliança é ampla: ela busca não apenas defender a mata e seus habitantes, mas também propor alterações nas políticas públicas para promover um coexistência mais sustentável. Este esforço coletivo pretende garantir que as vozes dessas comunidades sejam ouvidas e que haja um diálogo franco com as autoridades para rever e melhorar o manejo dos recursos naturais e da biodiversidade da Mata Atlântica.
Créditos de Imagem: Foto de Vinícius Carvalho/OTSS-Fiocruz e Fernando Frazão/Agência Brasil.
Povos tradicionais lançam aliança inédita para defender Mata Atlântica
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