Estados Unidos Impõem Tarifas Sobre Produtos Brasileiros em Resposta à Legislação de Big Techs
WASHINGTON/BRASÍLIA – A partir desta quarta-feira (22), produtos brasileiros estarão sujeitos a uma tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos. A ação é uma reação à evolução da legislação e decisões judiciais brasileiras envolvendo as gigantes da tecnologia, conhecidas como big techs, conforme argumenta o governo norte-americano. Entretanto, especialistas consultados pela Agência Brasil apontam que tais justificativas podem ser distorcidas, servindo mais como um pretexto para penalizar o Brasil do que uma medida justa de comércio internacional.
Segundo o relatório do Escritório do Representante Comercial da Casa Branca (USTR), a legislação brasileira, incluindo pontos do Marco Civil da Internet, é vista como um endurecimento inaceitável contra as plataformas digitais, citando “ordens secretas de tribunais brasileiros” que imporiam severas penalidades por não remover conteúdo político ou suspender perfis de residentes americanos. Contudo, para Paulo Rená, pesquisador do Instituto de Referência em Internet e Sociedade (IRIS), a realidade é diferente: “A falta de regras é o que realmente fere a liberdade de expressão, ao permitir discursos de ódio e disseminação de desinformação”.
Por sua vez, o sociólogo Sérgio Amadeu, da Universidade Federal do ABC, critica a decisão americana como truculenta, enfatizando o papel das big techs na prestação de contas à sociedade, contrastando com a abordagem europeia. Humberto Ribeiro, do Sleeping Giants Brasil, aponta que a motivação dos Estados Unidos também pode ser vista como uma estratégia para influenciar outros países latino-americanos sobre os custos de regular as gigantes tecnológicas.
Em resposta aos argumentos americanos, Alexandre Gonzalez, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), esclarece que o Brasil busca apenas assegurar que as plataformas cumpram regras democráticas e protejam os vulneráveis, especialmente crianças e adolescentes, conforme ilustrado na imagem de Brasília, com uma criança utilizando dispositivos digitais (foto de Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil).
Concluindo, as opiniões dos especialistas brasileiros indicam que as ações dos Estados Unidos podem estar mais alinhadas a defender interesses corporativos e estratégicos do que em proteger a concorrência ou a liberdade de expressão. As medidas brasileiras visam garantir um espaço digital seguro e justo, reafirmando a importância da soberania nacional no cenário digital global.
Tarifaço: EUA distorcem tema das big techs, afirmam especialistas
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