O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em uma grande manifestação de apoio ao meio ambiente, mobilizou cerca de 10 mil pessoas em 15 estados do Brasil. Durante a última semana, marcando a Semana Mundial do Meio Ambiente, o grupo participou de atividades que envolveram o plantio de mais de 5 mil mudas e a semeadura de aproximadamente 30 toneladas de sementes nos estados de Alagoas, Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, São Paulo e Sergipe.
A ação faz parte da Jornada Nacional em Defesa da Natureza e seus Povos, iniciada na última segunda-feira (1°) e concluída no domingo (7). O lema deste ano, “combater o agronegócio é cuidar da natureza!”, reflete o posicionamento do MST de que a reforma agrária pode ser uma solução viável para os crescentes desafios ambientais.
Além das plantações, o MST também se posicionou fortemente contra o que denomina os “crimes ambientais do agro-hidro-minero-negócio” e a legislação favorecida pelo agronegócio, que, segundo eles, promovem uma maior destruição ambiental. Este ponto de vista encontra eco em várias comunidades que, juntamente com o MST, expressam preocupações sobre a exploração dos recursos naturais.
Um exemplo específico dessa luta aconteceu no sábado (6), em São Paulo, onde o MST organizou um protesto no bairro de Perus, zona noroeste da capital, contra a instalação de um incinerador. O local é parte do EcoParque Bandeirantes, um projeto da prefeitura de São Paulo em parceria com uma empresa privada, planejado para ser instalado no antigo Aterro Sanitário Bandeirantes, que hoje está entre as Áreas Contaminadas em Processo de Remediação (ACRe) da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).
O projeto do EcoParque inclui, além do incinerador, instalações como um biodigestor e uma unidade de compostagem, com o objetivo de otimizar a reciclagem de resíduos sólidos urbanos e gerar energia com baixa emissão de gases de efeito estufa. Contudo, o MST e diversos grupos sociais locais, incluindo comunidades indígenas do Pico do Jaraguá, veem nesse projeto uma ameaça aos seus modos de vida e ao ambiente local.
Luciano Carvalho, da direção estadual do MST, criticou duramente o projeto, afirmando que “mostra qual é o projeto da burguesia e do agronegócio para o Brasil: para a periferia, para o povo pobre, para os camponeses, para a classe trabalhadora é sempre a poluição, os detritos. Para deixar bonita a área da burguesia, empurram para nós os detritos”. (Créditos da imagem: Agência Brasil)
Sem-terra plantam 5 mil mudas na semana do Meio Ambiente
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