Tesouro Nacional age para estabilizar juros diante de incertezas globais e domésticas
Em uma movimentação sem precedentes em mais de uma década, o Tesouro Nacional efetuou a recompra de títulos públicos totalizando R$ 43,6 bilhões em apenas dois dias, visando conter a alta de juros futuros. Esta ação supera, em termos nominais, as intervenções durante a pandemia de covid-19, quando foram recomprados R$ 35,56 bilhões.
Na terça-feira (17), as atividades iniciaram pela manhã com a recompra de R$ 9,05 bilhões em títulos prefixados, seguida por aquisições de papéis vinculados à inflação, somando R$ 7,07 bilhões à tarde. Esta sequência de operações busca reduzir a volatilidade no mercado de juros, essencial para as expectativas sobre a taxa Selic, influenciadas recentemente pelo conflito no Irã e pelo aumento nos preços do petróleo.
Essas intervenções são notáveis pois acontecem na semana decisiva de ajustes de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom), período em que, tradicionalmente, o Tesouro evita ações para não influenciar as políticas monetárias. O boletim Focus revela uma divisão entre analistas sobre o próximo passo da Selic, com a maioria prevendo um corte de 0,25 ponto percentual.
Há uma estratégia antecipada do Tesouro em resposta aos desafios, contrastando com reações mais tardias como as observadas em dezembro de 2024 durante crises políticas e fiscais. Embora a continuidade das intervenções ainda seja incerta, as decisões futuras dependerão das condições de mercado.
No final do dia de intervenções, apesar dos esforços do Tesouro, o mercado permaneceu tenso, exacerbado pela notícia de uma possível greve de caminhoneiros, impactando negativamente as percepções de risco. A taxa de juros para janeiro de 2027 escalou para 14,13% ao ano, com algumas estabilidades nos prazos mais longos.
[Crédito das imagens: Agência Brasil]
Tesouro faz maior intervenção em títulos públicos em mais de 10 anos
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