O Brasil tomou uma direção ambígua em sua política energética: enquanto novas usinas termelétricas a carvão mineral foram eliminadas das propostas, contratos existentes foram estendidos para manter operações ativas até 2040. Este cenário aponta para uma disparidade entre as metas de descarbonização e a realidade atual, como destacado no relatório “Boom and Bust 2026” da Global Energy Monitor (GEM), que analisa a expansão global dos combustíveis fósseis.
Em 2025, o crescimento global na capacidade instalada de carvão foi de 3,5%, embora a geração de energia efetiva tenha recuado em 0,6%, evidenciando um descompasso entre capacidade e uso. A China liderou com novos projetos totalizando 161,7 gigawatts no último ano, seguida pela Índia com 27,9 gigawatts. Entretanto, o número de países incluindo projetos para novas usinas caiu de 38 para 32.
A Europa e os Estados Unidos mostraram uma tendência contrária, com 69% e 59% das desativações programadas para 2025 não sendo cumpridas, respectivamente. Com a ausência de novas propostas no Brasil e em Honduras, a América Latina fica sem projetos de desenvolvimento de novas usinas a carvão.
No Brasil, o fim do licenciamento e o arquivamento de projetos como as usinas Nova Seival e Ouro Negro sinalizam uma postura mais cautelosa em relação ao carvão, embora ainda persista a extensão dos contratos das operações existentes. Segundo Gregor Clark do GEM, as decisões recentes contradizem o potencial brasileiro para uma matriz energética mais limpa e sustentável, levantando preocupações sobre os impactos ambientais a longo prazo.
Apesar das críticas e da evidente necessidade de abandono dos combustíveis fósseis, o Brasil, um dia após a COP30, aprovou uma lei que prorroga a compra obrigatória de energia elétrica de usinas a carvão até 2040, prolongando assim uma política que, segundo críticos, pode custar ao país mais de R$ 100 bilhões em subsídios. A defesa do Ministério de Minas e Energia pelo uso sustentado do carvão enfatiza a segurança energética, mas abre debates sobre a eficácia e o custo ambiental e de saúde pública dessa estratégia.
A reportagem permanece atenta para incluir futuras declarações do Ministério de Minas e Energia sobre o assunto e reitera a importância desses debates para o futuro energético do país. Paulo Pinto/Agência Brasil contribuiu com imagem do Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, durante evento em São Paulo.
Estudo global vê contradição em política para carvão mineral no Brasil
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