Em 1986, enquanto o Brasil vivia um momento de transformações políticas e sociais com o lançamento do Plano Cruzado e a abertura política, “O Pasquim”, conhecido por sua postura crítica e anarquista, expandiu suas fronteiras com edições regionais em São Paulo e no Rio Grande do Sul. Este periódico, que nasceu no auge da ditadura militar, foi uma voz da contracultura e do questionamento à opressão, utilizando humor ácido e jornalismo investigativo para desafiar o status quo. Trinta e seis anos depois, a história desse jornal alternativo renasce digitalmente: a Biblioteca Nacional Digital disponibilizou para consulta pública as 114 edições regionais, além das 1.072 edições originais do Rio de Janeiro, celebrando uma imprensa livre e crítica que marcou épocas.
As edições regionais de “O Pasquim” em São Paulo e no Rio Grande do Sul capturaram o espírito da transição política do país e a efervescência da contracultura local. Em São Paulo, sob a liderança de Paulo Markun, o jornal notabilizou-se pelo seu teor político satírico, abordando temas delicados da época, como a liberdade sexual e as críticas ferrenhas a figuras políticas como Paulo Maluf. No Rio Grande do Sul, Flávio Braga trouxe para as páginas um debate acalorado sobre os estereótipos do “macho sulino”, entre outros temas locais. Ambos os projetos contaram com colaborações de jornalistas e cartunistas renomados na região, como Laerte e Fernando Morais em São Paulo, e Edgard Vasquez e Canini no Rio Grande do Sul.
No entanto, a sustentabilidade financeira foi um desafio constante. Com uma recepty receptiva ainda tímida por parte de anunciantes e uma vendagem avulsa que não atendia às expectativas, as edições regionais não perduraram tanto quanto o desejo de seus criadores. Markun destaca a dificuldade de posicionar um jornal alternativo em um ambiente já saturado pela imprensa tradicional que começava a abordar temas antes restritos pela ditadura.
Apesar dos entraves financeiros e operacionais, o legado dessas edições foi preservado graças aos esforços de digitalização liderados por Fernando Coelho dos Santos, que através de uma iniciativa voluntária com a Biblioteca Nacional, garantiu que as futuras gerações tenham acesso à irreverência e ao valor histórico de “O Pasquim”. O extenso acervo agora disponível digitalmente inclui quase a totalidade das publicações do jornal, incluindo as franquias regionais, permitindo que o público reexamine o impacto desta publicação na história da imprensa brasileira.
Para mais informações sobre “O Pasquim” e seu papel no jornalismo brasileiro, os interessados podem acessar a Biblioteca Nacional Digital através do link: https://bndigital.bn.gov.br/dossies/o-pasquim/, onde todas as edições estão disponíveis para consulta gratuita.
Edições regionais de O Pasquim em SP e RS ganham acervo digital
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