Com o aumento das temperaturas globais, a questão do calor extremo tornou-se um tópico urgente de adaptação nas cidades brasileiras. Contudo, um estudo recente mostra que a maioria das cidades do Brasil ainda está no início ou não iniciou a elaboração de planos de ação concretos para lidar com este fenômeno. Este levantamento, divulgado em colaboração com a presidência brasileira da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30) e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), indica uma disparidade significativa entre o reconhecimento do problema e a implementação de soluções eficazes.
Parte integral da iniciativa global “Beat the Heat” da Coalizão pelo Resfriamento (Cool Coalition), o estudo incluiu 53 cidades brasileiras e ressalta a preocupação com o calor extremo, considerado um dos três principais desafios por 68% dos gestores municipais entrevistados. Apesar da alta percepção do risco, 75% das cidades não utilizam dados de maneira estruturada para fundamentar decisões, e 85% dependem de fundos externos para ação.
Entre as medidas adotadas, predominam as soluções baseadas na natureza, como arborização e telhados verdes, implementadas em 77% dos municípios. Em contraste, as estratégias de resfriamento passivo são menos frequentes, com apenas 21% das cidades adotando tais práticas.
O relatório também destacou deficiências nos critérios de compras públicas para resfriamento urbano, acentuando a necessidade de uma política mais integrada. Com o cenário do “Super El Niño” previsto para a segunda metade de 2026, a urgência de ações eficazes se torna ainda mais crítica para prevenir impactos severos associados ao calor extremo.
Fotografias ilustrativas desta situação foram capturadas em momentos de fortes ondas de calor no Rio de Janeiro por Tomaz Silva e em São Paulo por Paulo Pinto, ambos fotógrafos da Agência Brasil. Estas imagens demonstram visualmente o impacto do calor nas atividades diárias da população urbana.
Em resposta a essa necessidade crescente, a COP30 planeja ampliar os esforços para ajudar municípios a criar diagnósticos detalhados e planos de ação, visando preparar melhor as cidades brasileiras para um futuro mais quente e potencialmente perigoso.
Maioria das cidades do Brasil não tem plano de ação para calor extremo
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