Em uma recente cúpula do Mercosul, realizada neste sábado (20) em Foz do Iguaçu, lideranças da Argentina, Paraguai e Panamá, apoiadas por autoridades de Bolívia, Equador e Peru, emitiram um comunicado pedindo a restauração da democracia e o respeito aos direitos humanos na Venezuela. O Brasil e o Uruguai, sob a liderança de seus presidentes, Luiz Inácio Lula da Silva e Yamandú Orsi, respectivamente, optaram por não assinar o documento, destacando preocupações com a potencial interpretação do mesmo como apoio a ações militares norte-americanas na região.
O comunicado não menciona diretamente os crescentes conflitos entre os Estados Unidos e Venezuela, mas reafirma o compromisso dos signatários com a democracia, conforme estipulado pelo Protocolo de Ushuaia de 1998. A ação dos EUA na região inclui a apreensão de embarcações de petróleo venezuelanas, em um contexto de acusações de narcotráfico feitas pelo presidente Donald Trump, que não reconhece Nicolás Maduro como líder legítimo da Venezuela.
Os Estados Unidos têm justificado suas ações militares como um enfrentamento ao narcotráfico, embora Maduro defenda que o verdadeiro interesse norte-americano seja o controle das riquezas petrolíferas venezuelanas. A Venezuela, um dos maiores produtores de petróleo do mundo, enfrenta uma severa crise econômica agravada por estas ações.
A situação levantada na cúpula do Mercosul também pautou discussões sobre a crise humanitária e migratória em Venezuela, que levou à suspensão do país do bloco em 2017. Durante o evento, foi reiterada a demanda pela liberação de presos políticos e a busca por soluções pacíficas para a crise venezuelana.
Em paralelo, conversas diplomáticas foram mencionadas pelo presidente Lula, que dialogou com ambos, Maduro e Trump, buscando evitar uma escalada militar que poderia resultar em uma catástrofe humanitária. Lula salientou a necessidade de uma solução que respeite os direitos internacionais, em um contexto que lembra os tempos da Guerra das Malvinas.
Enquanto a Argentina, sob o comando de Javier Milei, apoia a pressão norte-americana contra Maduro, classificando-o como “narcoterrorista”, o Brasil se mostra cauteloso e enfatiza a necessidade de abordagens diplomáticas frente aos desafios regionais.
Brasil não assina comunicado sobre Venezuela liderado pela Argentina
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