A crescente popularidade das canetas emagrecedoras levanta preocupações sobre a saúde pública e a pressão estética na sociedade. Em recente entrevista para o programa “Caminhos da Reportagem” da TV Brasil, a professora Fernanda Scagluiza, das faculdades de Saúde Pública e de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), debateu a chamada “economia moral da magreza” e as implicações sociais e de saúde desses medicamentos.
As canetas emagrecedoras, apesar de aprovadas e endossadas por várias sociedades médicas, são frequentemente utilizadas sem o devido acompanhamento profissional. Fernanda Scagluiza explicou a dimensão social do culto ao corpo magro, associado a virtudes como esforço e disciplina, enquanto corpos fora desse padrão sofrem estigmatização e discriminação. Ela descreveu como esses padrões afetam desproporcionalmente as relações sociais, profissionais e pessoais, criando uma realidade de privilégios e opressões.
Durante a entrevista, a professora também destacou a manipulação dos padrões de beleza ao longo da história, onde padrões inatingíveis são promovidos para alimentar uma indústria focada na venda de soluções estéticas. Ela ressaltou a preocupação especial com os impactos desse fenômeno em crianças e adolescentes.
A discussão incluiu a percepção de que, na era atual, há uma forte recorrência à cultura da magreza extrema, potencializada pelo uso das canetas emagrecedoras, que Fernanda Scagluiza descreveu como um passo atrás nos avanços sociais e de aceitação corporal alcançados nas últimas décadas.
Por fim, abordou-se a medicalização da alimentação e do corpo, onde necessidades humanas básicas, como a fome, estão sendo transformadas em questões médicas que podem ser ‘corrigidas’ farmacologicamente. Este fenômeno está alterando profundamente a relação das pessoas com a comida e com seus corpos, com graves repercussões para a saúde física e mental.
O vídeo completo da entrevista está disponível no YouTube da TV Brasil, oferecendo uma discussão aprofundada sobre as consequências sociais e individuais da busca pela magreza, num contexto de crescente pressão estética e suas implicações na saúde pública. [Link para o vídeo no YouTube da TV Brasil]
Canetas emagrecedoras podem reforçar “economia moral da magreza”
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