Enfrentando o novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos, a economia brasileira ainda conseguiu expandir em 2,3% em 2025, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, esse crescimento evidencia uma adaptação do setor exportador nacional, que diversificou mercados apesar das adversidades.
O PIB, que mede a totalidade de bens e serviços produzidos, foi impulsionado especialmente pelo aumento de 6,2% nas exportações em relação ao ano anterior. Palis destacou que, apesar do tarifaço ter sido um desafio, os exportadores brasileiros conseguiram mitigar os impactos buscando alternativas a um mercado norte-americano agora mais restritivo. “Provavelmente sem o tarifário teríamos exportado mais, mas ainda assim o crescimento foi substancial e crucial para o desempenho do ano”, afirmou a pesquisadora.
O tarifaço, implementado em agosto de 2025 pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou significativamente as taxas sobre produtos importados, buscando proteger a indústria local e, segundo Trump, agindo também como retaliação política contra o Brasil. A ação penalizou especialmente produtos brasileiros, com impostos que chegaram a 50%.
Esta política levou a um recuo de 6,6% nas exportações brasileiras para os Estados Unidos, conforme relatórios do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). No entanto, recentemente, uma decisão da Suprema Corte dos EUA invalidou o aumento de tarifas determinado por Trump, o que possibilitou a isenção de 46% dos produtos brasileiros anteriormente afetados, criando uma nova oportunidade de negociação comercial entre os dois países.
O cenário ainda mostra os Estados Unidos como segundo principal parceiro do Brasil, atrás apenas da China, destacando a importância contínua das relações entre estas duas grandes economias. Os governos dos dois países estão em contínuas negociações para solidificar e melhorar sua parceria comercial pós-tarifaço.
Tarifaço americano teve efeito “pontual” na economia, diz IBGE
Economia

