O filósofo Vladimir Safatle, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), chama a atenção para a necessidade de se reconhecer e nomear os movimentos autoritários da extrema direita como fascistas, em uma entrevista exclusiva à Agência Brasil. Safatle, autor do livro “A ameaça interna: psicanálise dos novos fascismos globais”, destaca que as práticas e violências associadas ao fascismo têm sido naturalizadas em certas democracias liberais, especialmente quando direcionadas a grupos específicos em contextos específicos.
Durante o evento Novos Fascismos Globais, que ocorrerá neste sábado (6) a partir das 11h40 na Feira do Livro de São Paulo, Safatle ampliará a discussão sobre esse tema. O filósofo argumenta que muitos intelectuais hoje negligenciam a presença persistente do fascismo como força influente em nossa sociedade, o que, segundo ele, contribui involuntariamente para a perpetuação desse fenômeno.
Safatle ressalta que as violências do fascismo histórico vieram inicialmente de estruturas coloniais, que depois migraram para o contexto brasileiro, refletindo-se na dinâmica entre o estado e certas populações. Ele insiste que qualquer discussão sobre democracia deve considerar de qual perspectiva se está falando, citando diferenças radicais de experiência entre bairros como Higienópolis e o Complexo do Alemão.
Além disso, o autor aponta que o fascismo e suas práticas violentas não estão limitados a períodos de guerra manifesta, mas se manifestam na gestão de crises contemporâneas como as sanitárias, ecológicas e econômicas, onde a falta de ação efetiva do estado gera uma aceitação social do sacrifício e da destruição.
Em face desses desafios, Safatle recomenda uma resposta clara por parte de partidos politicos e grupos sociais, enfatizando a importância de uma compreensão profunda e sem receios do fenômeno fascista, que se reflete numa escolha racional de seus apoiadores, baseada no medo de perder o próprio lugar na sociedade.
Imagem de Vladimir Safatle: Cecília Bastos/USP Imagens, disponível na Agência Brasil.
Safatle afirma que pensadores não podem ter medo de nomear o fascismo
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