À medida que avança a corrida global pela sustentabilidade e inovação tecnológica, os minerais estratégicos, especialmente as terras raras, assumem um papel central neste cenário. O Brasil, com sua vasta reserva destes recursos, se destaca como um jogador principal, mas enfrenta desafios significativos na gestão e valorização da cadeia produtiva destes minerais.
De acordo com o Serviço Geológico do Brasil (SGB), as terras raras, que incluem 17 elementos químicos como lantânio, cério e neodímio, não são necessariamente escassas, mas estão dispersas geograficamente, o que complica sua exploração econômica. Esses elementos são cruciais para o desenvolvimento de tecnologias avançadas, desde turbinas eólicas até carros elétricos e sistemas de defesa.
Os minerais são classificados em “estratégicos” ou “críticos” baseados em sua importância tecnológica e riscos associados ao abastecimento. A lista de minerais com essa classificação varia conforme o contexto geopolítico e tecnológico, incluindo recursos como lítio, cobalto e grafita, que são fundamentais para a transição energética.
O Brasil se posiciona estrategicamente com a segunda maior reserva de terras raras do mundo, segundo o USGS, concentradas principalmente em estados como Minas Gerais e Bahia. O país também lidera com as maiores reservas de nióbio e é um forte produtor de grafita e níquel.
Apesar desses recursos, o Brasil ainda enfrenta desafios em termos de beneficiamento e refino, áreas ainda incipientes no país, o que limita o valor agregado da produção mineral. Luiz Jardim Wanderley, professor da Universidade Federal Fluminense, critica o modelo atual de exploração que mantém o Brasil como um país exportador de matéria-prima, sem o devido aproveitamento interno dos recursos.
Adicionalmente, a mineração traz consigo desafios ambientais e sociais significativos. O impacto sobre os recursos hídricos e a pressão econômica sobre comunidades locais são aspectos frequentemente destacados por especialistas como pontos críticos do modelo atual de exploração mineral no Brasil.
Essa situação coloca o país num dilema entre aproveitar seu potencial geológico para avançar na cadeia de valor global e as necessidades de desenvolver práticas mais sustentáveis e inclusivas economicamente. A discussão sobre como balancear esses aspectos continua relevante e necessária no contexto da política e economia globais de minerais estratégicos.
Terras raras, minerais estratégicos e críticos: entenda as diferenças
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