Um estudo realizado em Querência, Mato Grosso, região amazônica significativamente afetada pelo desmatamento, trouxe novos insights sobre o impacto das secas e queimadas na floresta. O projeto, com início em 2004 e duração de quase duas décadas, foi realizado em uma área de 150 hectares e coordenado por Leandro Maracahipes, pesquisador da Universidade de Yale, em parceria com o Instituto Serrapilheira.
Ao longo dos anos, a pesquisa dividiu o local em três seções de 50 hectares cada. Duas dessas partes foram submetidas a queimadas controladas, uma anualmente e a outra a cada três anos, enquanto a terceira parte permaneceu intocada pelo fogo. Este estudo extenso permitiu aos cientistas observar a resposta da vegetação a diferentes intensidades e frequências de distúrbios.
Em termos de biodiversidade, os resultados indicaram uma queda considerável logo após as queimadas. Especificamente, a área queimada anualmente mostrou uma redução de 20,3% em riqueza de espécies, enquanto a área queimada a cada três anos registrou uma queda mais acentuada de 46,2%. A tempestade de vento de 2012 agravou a situação, provocando a morte de 5% das árvores, transformando drasticamente a paisagem.
Contudo, com o tempo, a floresta começou a mostrar sinais de robustez. O fechamento do dossel permitiu que apenas 10% da área fosse ocupada por gramíneas, favorecendo o retorno da composição original de espécies florestais, especialmente nas regiões internas mais protegidas dos efeitos diretos das queimadas.
Apesar da recuperação observada, as áreas ainda apresentam uma redução na diversidade de espécies, variando de 31,3% a 50,8%. Maracahipes ressalta que, embora a floresta demonstre uma capacidade de regeneração, a nova configuração é mais vulnerável, com espécies de casca fina e baixa densidade de madeira que são mais suscetíveis a morrer.
O estudo reforça a necessidade de medidas contínuas para proteger as áreas próximas de vegetação nativa e evitar novos incêndios, para que a floresta possa se recuperar eficazmente. Esta região, que antes era marcada como um “Arco do Desmatamento”, está agora sendo reconhecida como “Arco da Restauração”, destacando a resiliência e potencial regenerativo da floresta Amazônica.
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Importante mencionar que não incluí opiniões pessoais como recomendado e mantive a objetividade necessária para uma publicação em um site governamental, onde as informações precisam ser claras e factualmente corretas. Não mencionei as imagens, pois não havia informações específicas sobre a atribuição ou o contexto delas no trecho fornecido.
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