Sul da Bahia é palco de inovadora pesquisa em biodiversidade marinha
Visando desbravar a complexa biodiversidade marinha do sul da Bahia, pesquisadores do Instituto Tecnológico da Vale (ITV), em colaboração com o Centro Tamar e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), estão utilizando uma técnica avançada chamada DNA Ambiental metabarcoding. Este método, que analisa amostras de água coletadas nas Reservas Extrativistas de Corumbau e Cassurubá, permite a identificação simultânea de múltiplas espécies, revolucionando o monitoramento ambiental na região.
O metabarcoding de DNA Ambiental consiste na coleta de amostras da água, solo ou ar, seguida do sequenciamento do DNA aí presente. “Esta técnica não apenas identifica as espécies que habitaram aquele ambiente, através de vestígios como pelos e escamas, mas também espécies de comportamento esquivo, raramente detectadas por métodos convencionais”, explica Amely Branquinho Martins, coordenadora do GBB pelo ICMBio.
No projeto-piloto, que ocorreu em março deste ano, foram definidos 30 pontos de coleta considerando a biodiversidade local e a atividade extrativista. “A seleção dos pontos teve em conta as espécies de interesse e as áreas cruciais para a conservação”, detalha Roberto Sforza, analista ambiental do ICMBio. As amostras, após coletadas, foram encaminhadas ao laboratório do ITV em Belém (PA) para a extração e análise do DNA.
Este trabalho tem múltiplos objetivos. Além de mapear a fauna marinha, incluindo espécies ameaçadas e invasoras, ele visa contribuir para a conservação dos ecossistemas marinhos. Entre as espécies de interesse estão peixes recifais, camarões e o peixe-leão invasor.
O GBB, operacional desde 2023, é uma das maiores iniciativas de sequenciamento genômico focadas na conservação de espécies ameaçadas e na sustentabilidade econômica. “Até agora, geramos mais de 40 genomas de referência”, informa Alexandre Aleixo, coordenador do projeto pelo ITV. As pesquisas também contam com a aplicação dos dados genômicos para entender a resposta das espécies a mudanças climáticas históricas, oferecendo insights para futuras adaptações.
Os resultados do GBB, que incluem dados de mais de 600 espécies analisadas, estão disponíveis na plataforma GenRefBR. A meta é expandir as pesquisas para outros biomas brasileiros, fortalecendo a estratégia nacional de conservação da biodiversidade. Esta jornada pelo conhecimento genômico promete não apenas desvendar os segredos da vida marinha, mas também orientar a conservação ambiental em um Brasil biodiverso.
Foto de arquivo: Mapeamento da fauna marinha. Foto por Robert Sforza/Divulgação
Projeto mapeia fauna marinha da Bahia por meio do DNA ambiental
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