NotíciasMeio AmbienteEstudo aponta desigualdade na transição energética global

Estudo aponta desigualdade na transição energética global

Um novo estudo divulgado pela Oxfam Brasil levanta uma discussão crítica sobre as desigualdades existentes no consumo energético global e na implementação da transição energética. O relatório, intitulado “Transição Injusta: Resgatando o Futuro Energético do Colonialismo Climático”, aponta que os países do Norte Global consumiram um excedente significativo de energia ao longo das últimas seis décadas, que poderia suprir as necessidades básicas de eletricidade do planeta por duas décadas.

Ao analisar os padrões de consumo de energia nos últimos 60 anos, o estudo observou que os países mais ricos utilizaram aproximadamente 3.300 petawatts-hora (PWh) além de suas necessidades energéticas fundamentais, conforme proposto pela Fundação Rockefeller e pelo Energy for Growth Hub. Este uso excessivo de energia contrasta fortemente com as regiões ainda lutando pela universalização do acesso à energia elétrica.

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A pesquisa também reflete sobre a transição para fontes de energia renováveis, destacando a distribuição desigual dos investimentos nesse setor. Enquanto o Norte Global e a China juntos concentram a maioria dos investimentos em energia renovável (75%), a América Latina, o Sudeste Asiático, o Oriente Médio e a África receberam menor parte dos fundos, apesar de estarem entre as regiões com maiores carências e potenciais recursos energéticos, como minerais críticos para a transição.

Além disso, o relatório identifica uma ameaça substancial às comunidades tradicionais cujos territórios são ricos em recursos essenciais para esta nova fase energética. Cerca de 22,7 milhões de km², territórios indígenas reconhecidos, estão sob risco devido a atividades industriais ligadas à transição energética.

O estudo da Oxfam Brasil conclama a aplicação do princípio das responsabilidades compartilhadas, mas diferenciadas, incentivando uma distribuição mais equitativa dos benefícios energéticos e a proteção às populações mais vulneráveis. Também sugere medidas de reforma na governança energética mundial e estratégias para garantir que todas as nações contribuam de acordo com sua capacidade histórica e atual no consumo de recursos e emissões de gases de efeito estufa.

Relatório mostra desigualdade no processo de transição energética

Agência Brasil

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