Articulação Cultural e Comunicacional nas Comunidades Quilombolas Ganha Visibilidade por Pesquisa do Instituto Sumaúma
Um estudo recente realizado pelo Instituto Sumaúma investigou as práticas culturais e comunicacionais nas comunidades quilombolas do Brasil, desvendando um alinhamento profundo com questões de justiça climática, racial e territorial. O levantamento expôs a riqueza e a diversidade das atividades desenvolvidas por essas comunidades, tradicionalmente marginalizadas nas discussões sobre políticas públicas e direitos sociais.
O Instituto Sumaúma, conhecido por seu trabalho com grupos sociais em situação de vulnerabilidade, como pessoas negras, indígenas e residentes de áreas periféricas, dirigiu-se especificamente ao reconhecimento dos quilombolas como atores vitais na preservação de suas culturas e no debate sobre direitos e sustentabilidade. Juliane Sousa, pesquisadora quilombola e consultora no projeto, destacou que esta pesquisa “reconhece e valoriza as ações de comunicação e cultura que essa população realiza há séculos”.
Os resultados mostram que 87% dos agentes de comunicação quilombola abordam o racismo em seus conteúdos, enquanto 85% tratam de políticas públicas e 77,4% discutem questões educacionais. Além disso, desafios como o acesso limitado à internet e recursos financeiros insuficientes para equipamentos e software foram identificados, com mais de 40% dos participantes relatando não receber nenhuma renda de suas atividades culturais e comunicacionais.
Ainda para aumentar a visibilidade desses grupos, o Instituto Sumaúma desenvolveu um mapa interativo de acesso público que permite localizar comunidades quilombolas por cidade, estado e região. Taís Oliveira, fundadora e diretora executiva do instituto, afirmou que essa ferramenta visa facilitar o contato e o conhecimento das culturas quilombolas.
Representantes como a Rede Kalunga de Comunicação, ativa desde 2021 no Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga na Chapada dos Veadeiros, demonstram o potencial transformador e unificador dessas iniciativas. Daniella Teles, comunicóloga e cofundadora da rede, salienta a importância da autenticidade na narração da vida quilombola: “As histórias contadas pelos próprios membros garantem a preservação de suas tradições orais e culturais, fundamentais para a continuidade da comunidade.”
Este estudo sublinha a necessidade urgente de inclusão efetiva das comunidades quilombolas nas agendas de negociações territoriais e ambientais, enfatizando que a ausência histórica de reconhecimento e dados demográficos adequados tem impedido o acesso dessas populações a serviços básicos essenciais.
Reportagem da Agência Brasil
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Meio Ambiente

