Lançado na 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15), em Campo Grande, o Atlas de Rotas Migratórias das Américas é uma ferramenta online vital para a conservação de aves migratórias. O atlas, que detalha rotas de migração, locais de parada e repouso, serve como base científica crucial para focar esforços de conservação e políticas públicas em áreas que necessitam de proteção urgente.
Braulio Dias, diretor de Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), explicou a importância da ferramenta para delineação mais precisa de áreas prioritárias para conservação. “Com o Atlas, é possível, por meio de um esforço coletivo e dados robustos, configurar geograficamente as regiões que mais precisam de intervenção”, afirma Dias.
Além da conservação, o atlas tem implicações significativas para o licenciamento ambiental, especialmente em projetos de infraestrutura como linhas de transmissão e torres eólicas. “A localização adequada destes empreendimentos é crucial para minimizar impactos negativos sobre as aves e morcegos migratórios,” ressalta Dias.
O Atlas oferece um mapa interativo onde se pode visualizar áreas de concentração de aves (ACAs), indicando as rotas migratórias seguidas por cada espécie durante diferentes épocas do ano. Essa funcionalidade não só beneficia formuladores de políticas e pesquisadores, mas também o público geral, como observadores de aves e turistas interessados em ecoturismo.
Fundamentado em milhões de registros de ciência-cidadã da plataforma eBird, o atlas cobre atualmente 89 espécies e planeja expandir para 622 espécies que atravessam 56 países nas Américas. Uma dessas espécies é o veste-amarela, que está na lista de espécies ameaçadas da Convenção de Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS) devido ao declínio acentuado de sua população.
Christopher Wood, diretor do Centro de Estudos de Populações de Aves do Laboratório de Ornitologia da Universidade de Cornell, destacou que o atlas é um exemplo do que é possível alcançar com a colaboração massiva em observações de aves. O desenvolvimento do atlas é uma colaboração entre o secretariado da CMS, o Laboratório de Ornitologia da Universidade de Cornell, o MMA e o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos (USFWS).
Durante o lançamento, a secretária executiva da CMS, Amy Fraenkel, enfatizou que o projeto reforça o compromisso de manter a conectividade ecológica transcultural, essencial em um momento que exige ação coordenada para a proteção das espécies migratórias.
*Equipe viajou a convite do Ministério do Meio Ambiente.
**Foto de Braulio Dias por Rafa Neddermeyer/Agência Brasil; Foto de Christopher Wood por Rafa Neddermeyer/Agência Brasil.
Atlas lançado na COP15 mostra rotas migratórias de aves vulneráveis
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