Tartarugas-cabeçudas reaparecem na Baía de Guanabara e despertam interesse científico
RIO DE JANEIRO – O inesperado reaparecimento frequente de tartarugas-cabeçudas, espécie considerada ameaçada de extinção, na Baía de Guanabara está mobilizando pesquisadores e pescadores artesanais. Este fenômeno, que começou a ser mais observado a partir de 2024, é estudado pelo Projeto Aruanã, uma iniciativa de conservação de tartarugas marinhas no litoral fluminense.
Em abril deste ano, a equipe do projeto, em colaboração com pescadores locais, conseguiu marcar dois indivíduos que se aventuraram nos currais de pesca, um comportamento pouco usual que está abrindo novas possibilidades de investigação científica. A tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta), normalmente encontrada em áreas oceânicas e conhecida por sua dieta à base de crustáceos, parece estar adaptando seus hábitos alimentares às condições oferecidas pelas águas internas da baía.
Larissa Araujo, bióloga do Projeto Aruanã, explica que este é um comportamento recente e ainda não documentado de maneira sistemática antes de 2024. “Estamos observando um aumento gradual na entrada desses animais nos currais de pesca desde julho de 2025, e isso nos indica uma potencial mudança no padrão comportamental da espécie que precisa ser melhor entendida”, disse Araujo.
O fenômeno está atualmente sob estudo para entender todas as implicações, inclusive os riscos associados à presença das tartarugas em um ambiente tão impactado por atividades humanas como a Baía de Guanabara. Suzana Guimarães, coordenadora-geral do projeto, aponta que, apesar de não ser possível afirmar que a presença destes animais esteja diretamente relacionada à melhoria das condições ambientais da região, seus registros indicam que a baía mantém uma resiliência significativa.
Para avançar nas pesquisas, o Projeto Aruanã está planejando uma nova fase de monitoramento com transmissores via satélite para rastrear as rotas e os períodos de permanência das tartarugas dentro da baía. Além disso, a colaboração dos pescadores e moradores locais tem sido crucial, fornecendo notificações de avistamentos e assistindo em processos de marcação e coleta de dados biométricos.
Este aumento de interesse e de engajamento com a conservação marinha ganhou ainda mais destaque com o caso de Jorge, uma tartaruga macho que, após quase 40 anos em cativeiro na Argentina, ressurgiu na baía poucos meses após ser reintroduzida ao oceano, um caso que captou a atenção pública e dos cientistas.
Foto-credito: Fernando Frazão/Agência Brasil (Guapimirim (RJ), 16/10/2024 – Aves marinhas na Baía de Guanabara)
Tartarugas-cabeçudas reaparecem na Baía de Guanabara
Meio Ambiente

