Um novo estudo aponta que 43,2% das mortes por câncer no Brasil poderiam ser evitadas com medidas de prevenção adequadas, diagnóstico precoce e acesso eficaz ao tratamento. Publicado na revista The Lancet, o estudo destaca que dos 253,2 mil casos de câncer diagnosticados no país em 2022, cerca de 109,4 mil mortes poderiam ser evitadas, potencialmente salvando milhares de vidas anualmente.
Esta pesquisa é uma colaboração de 12 autores, com oito deles vinculados à Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (Iarc), uma parte da Organização Mundial da Saúde (OMS) baseada em Lyon, França. O estudo classifica que 65,2 mil mortes no Brasil são preveníveis, indicando que a doença poderia ser evitada completamente, enquanto outras 44,2 mil são atribuídas à falta de diagnóstico precoce e a um acesso inadequado aos tratamentos disponíveis.
Globalmente, o levantamento apontou que, dos 9,4 milhões de mortes por esta doença, 47,6% poderiam ser evitadas. Isso ressalta não apenas a importância, mas também a eficácia potencial das medidas preventivas e de acesso ao tratamento de saúde.
Ao detalhar os fatores de risco, os pesquisadores indicam principais causas como o uso de tabaco, o consumo de álcool, o excesso de peso, exposição à radiação ultravioleta, e infecções por agentes como o HPV e a bactéria Helicobacter pylori.
Disparidades regionais e de desenvolvimento foram notadas, com países de baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) apresentando um percentual maior de mortes evitáveis, chegando a 60,8%. Em contrapartida, na América do Sul, 43,8% das mortes por câncer são evitáveis, muito próximo ao índice do Brasil.
A pesquisa não apenas ilumina a necessidade crítica de investimentos em saúde pública para a prevenção do câncer, como também sugere estratégias como a regulamentação de produtos não saudáveis e campanhas para reduzir o consumo de álcool e tabaco.
No Brasil, o Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer (Inca) já estão engajados em ampliar esforços para a prevenção e o diagnóstico precoce, seguindo as orientações do estudo e buscando reduzir significativamente o número de mortes evitáveis por câncer no país.
Quatro em cada dez mortes por câncer no Brasil são evitáveis
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