Brasil assume liderança na Zopacas visando paz e sustentabilidade no Atlântico Sul
Na última quinta-feira (9), o Brasil passou a liderar uma importante aliança internacional conhecida como Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas). Durante a reunião na Escola Naval, na Baía de Guanabara, Rio de Janeiro, o Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, expressou a determinação do país em manter o Atlântico Sul livre de conflitos e focado na sustentabilidade ambiental. Este grupo reúne 24 nações, abrangendo países da América do Sul como Argentina e Uruguai, e 21 nações do litoral oeste africano, de Senegal à África do Sul, incluindo também o arquipélago de Cabo Verde.
Em um cenário global tensionado por conflitos em regiões como Gaza, Irã, Líbano e Ucrânia, Vieira destacou a importância de não “importar” rivalidades estrangeiras que contrariam os interesses dos países membros da Zopacas. O ministro ressaltou os esforços do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em lidar com as consequências globais desses conflitos, como o aumento nos preços de energia e alimentos, que impactam severamente economias menos desenvolvidas.
Criada em 1986 pela Organização das Nações Unidas (ONU), a Zopacas tem como metas principais garantir que o Atlântico Sul permaneça livre de armas nucleares e destruição em massa. Além disso, a aliança promove a cooperação nas áreas de segurança marítima e meio ambiente. Durante seu mandato, o Brasil priorizará o combate a ilícitos como tráfico de drogas, pirataria e pesca ilegal, e a proteção ambiental, com ações como a proposta de criação do Santuário de Baleias do Atlântico Sul.
A embaixadora Luiza Lopes da Silva, diretora-adjunta da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), detalhou o portfólio de projetos de cooperação em discussão, que incluem desde combate à fome e desenvolvimento econômico até avanços tecnológicos em agricultura. Esses programas são desenhados para oferecer políticas públicas modelares que, voluntariamente, possam ser adotadas pelos países parceiros conforme suas necessidades estratégicas. A ABC atua para fortalecer a soberania dos países membros, oferecendo know-how em diversas áreas de desenvolvimento sustentável.
O Brasil, que tem a maior extensão de litoral no Atlântico Sul com aproximadamente 10,9 mil quilômetros, se posiciona como uma liderança crucial tanto em questões marítimas quanto ambientais, colaborando ativamente para um futuro mais seguro e sustentável para a região. A convenção para a Proteção do Meio Ambiente Marinho, que será firmada ao término do encontro, marca um passo significativo rumo à concretização desses objetivos.
Brasil assume aliança e pede Atlântico Sul livre de guerras e tensões
Internacional

